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sábado, 24 de maio de 2014

Cinco Minutos



Tenho medo de voltar
A amar do mesmo jeito
Nem melhor , nem pior
Porque o nosso era perfeito

Quando as dúvidas me calam
Minha língua se trava
As palavras são engolidas
Por esse dragão de lava
Que ainda mora cá dentro
Deste peito em desgoverno

O que não houve
O que não soube
O que não mais é
A falta de fé
No que não mais existe
Me consome.

E porque temo ainda amar
Duvidei de mim
E esqueci de nós
Tentando apagar com raiva
Todos os momentos a sós.
Mas a força foi grande, gigante
E meus pés, tão vacilantes
Que tua figura povoa
Meus sonhos, meus medos, meus ganhos.

Ainda dói, ainda sangra
Ainda lembro, do riso, da lágrima...
E como entender o que não mais há?
Como pedir ao coração que não sinta?
Como pedir que a alma não minta?
Quando todos os caminhos
Por mais distantes que estejam
Ainda me levam
Somente a você?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tentativas

Para reaprender a viver

Tentei de todas as formas me desfazer

De tuas lembranças nas minhas lembranças:


Joguei fora tua risada infinita

Embrulhei teu olhar, ainda que um pouco aflita

Lancei ao mar teu perfume

Que ainda queimava a pele

Lavei o lençol do ciúme

Que nosso desejo ainda expele

Para que a renúncia de nossa história

Não seja somente um tormento, um agravo

E sim uma nova vitória...


Meus pedaços remendei

Como quebra cabeça esquecido ao relento

Minhas lágrimas guardei

Como tesouro fechado no cofre do tempo

As memórias revirei

Buscando, insone, um motivo, a resposta

Para tua partida, de tristeza posta

Nada encontrei.

Suspirei.


Então...

Num gesto de loucura traí minha mente

Como quem mata, como quem mente

Enlouqueci minha consciência

Gritei até ficar rouca.

Em tal estado de torpor, de demência

Conspurquei teu nome, tua boca

Lancei meu sorriso à lama

E maldisse minha metade louca:

Aquela que ainda te chama.





sexta-feira, 30 de abril de 2010

Volta

Negue teu pedaço que diz que não me ama
Negue que à noite por mim chamas
Não fuja de teu coração, tua essência
Desista do descaso, com leniência
Não tente me esquecer
E volta

Lance ao breu tuas incertezas
Dispa-se de teus medos, vire o jogo, a mesa
Busque a melhor parte de ti
Aquela que ainda sabe sorrir
E volta

Lute contra tua metade profana
Arremesse à terra toda mentira que engana
Relembre as palavras que com amor disseste
Acalme a alma, da pureza te reveste
E volta

Arranque do peito a mágoa que ainda restou
Livre-se da loucura, abrace a ternura
Levanta do teu leito frio
Jogue ao chão teu espaço vazio
Vista-se de paz, esqueça de qualquer porém
E vem...

Volta, porque apesar das rasuras, da revolta
Ainda estou aqui
Volta, porque teu íntimo te implora
Porque a saudade hoje aflora
Porque ...
... te espero.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O velho da morte a sorrir



Os pés já não têm a firmeza
O aperto de mão mais fraco está
A vista, turva, pouco enxerga a beleza
Só a lembrança renova o brilho no olhar

A memória falha em tantos instantes
Fere-me os ouvidos gritos a ouvir
Sou velho, calado, caminho vacilante
Mas quero ainda da vida sorrir

Tenho saudade de mim
Da criança buliçosa, de bola  a brincar
Da mãe carinhosa, do abraço sem fim
Onde o beijo era a cura dos males enfim

Tenho saudade de nós
Nossa moça história de amor
Encontros furtivos, mãos a se unir
E mais uma vez, da vida sorrir

Desculpai esta face de rugas presentes
São cicatrizes de anos producentes
Do labor, do suor do trabalho inerente.
Dói-me saber de todos a indiferença
Ao julgarem-me incapaz, terrível doença
Dói-me sua condenação velada
A mostrar-me " És fantasma vazio do nada".
Porém há algo que o tempo não retira:
A força do sorriso que em minh alma respira.

Na hora da partida iminente
Sabedor que sou do caminho finito
Saio da escuridão, em direção a luz
Que meu espírito manso seduz
Ando trôpego, curvado,  porém crente
Com a certeza de quem viveu plenamente

Deixar-me-ei ser guiado em paz
Sonharei memórias de sorrisos vários
Seguirei calmo, um tanto cansado
Mas meus últimos suspiros serão a mostrar
Que dessa vida só se leva o Amar:
E é este que vos fala, a quem quiser ouvir:
O velho que até da morte sorri.


 Poema para Fábrica de Letras


(imagem : http://geofrontmarcio.blogspot.com)







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sábado, 24 de maio de 2014

Cinco Minutos



Tenho medo de voltar
A amar do mesmo jeito
Nem melhor , nem pior
Porque o nosso era perfeito

Quando as dúvidas me calam
Minha língua se trava
As palavras são engolidas
Por esse dragão de lava
Que ainda mora cá dentro
Deste peito em desgoverno

O que não houve
O que não soube
O que não mais é
A falta de fé
No que não mais existe
Me consome.

E porque temo ainda amar
Duvidei de mim
E esqueci de nós
Tentando apagar com raiva
Todos os momentos a sós.
Mas a força foi grande, gigante
E meus pés, tão vacilantes
Que tua figura povoa
Meus sonhos, meus medos, meus ganhos.

Ainda dói, ainda sangra
Ainda lembro, do riso, da lágrima...
E como entender o que não mais há?
Como pedir ao coração que não sinta?
Como pedir que a alma não minta?
Quando todos os caminhos
Por mais distantes que estejam
Ainda me levam
Somente a você?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tentativas

Para reaprender a viver

Tentei de todas as formas me desfazer

De tuas lembranças nas minhas lembranças:


Joguei fora tua risada infinita

Embrulhei teu olhar, ainda que um pouco aflita

Lancei ao mar teu perfume

Que ainda queimava a pele

Lavei o lençol do ciúme

Que nosso desejo ainda expele

Para que a renúncia de nossa história

Não seja somente um tormento, um agravo

E sim uma nova vitória...


Meus pedaços remendei

Como quebra cabeça esquecido ao relento

Minhas lágrimas guardei

Como tesouro fechado no cofre do tempo

As memórias revirei

Buscando, insone, um motivo, a resposta

Para tua partida, de tristeza posta

Nada encontrei.

Suspirei.


Então...

Num gesto de loucura traí minha mente

Como quem mata, como quem mente

Enlouqueci minha consciência

Gritei até ficar rouca.

Em tal estado de torpor, de demência

Conspurquei teu nome, tua boca

Lancei meu sorriso à lama

E maldisse minha metade louca:

Aquela que ainda te chama.





sexta-feira, 30 de abril de 2010

Volta

Negue teu pedaço que diz que não me ama
Negue que à noite por mim chamas
Não fuja de teu coração, tua essência
Desista do descaso, com leniência
Não tente me esquecer
E volta

Lance ao breu tuas incertezas
Dispa-se de teus medos, vire o jogo, a mesa
Busque a melhor parte de ti
Aquela que ainda sabe sorrir
E volta

Lute contra tua metade profana
Arremesse à terra toda mentira que engana
Relembre as palavras que com amor disseste
Acalme a alma, da pureza te reveste
E volta

Arranque do peito a mágoa que ainda restou
Livre-se da loucura, abrace a ternura
Levanta do teu leito frio
Jogue ao chão teu espaço vazio
Vista-se de paz, esqueça de qualquer porém
E vem...

Volta, porque apesar das rasuras, da revolta
Ainda estou aqui
Volta, porque teu íntimo te implora
Porque a saudade hoje aflora
Porque ...
... te espero.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O velho da morte a sorrir



Os pés já não têm a firmeza
O aperto de mão mais fraco está
A vista, turva, pouco enxerga a beleza
Só a lembrança renova o brilho no olhar

A memória falha em tantos instantes
Fere-me os ouvidos gritos a ouvir
Sou velho, calado, caminho vacilante
Mas quero ainda da vida sorrir

Tenho saudade de mim
Da criança buliçosa, de bola  a brincar
Da mãe carinhosa, do abraço sem fim
Onde o beijo era a cura dos males enfim

Tenho saudade de nós
Nossa moça história de amor
Encontros furtivos, mãos a se unir
E mais uma vez, da vida sorrir

Desculpai esta face de rugas presentes
São cicatrizes de anos producentes
Do labor, do suor do trabalho inerente.
Dói-me saber de todos a indiferença
Ao julgarem-me incapaz, terrível doença
Dói-me sua condenação velada
A mostrar-me " És fantasma vazio do nada".
Porém há algo que o tempo não retira:
A força do sorriso que em minh alma respira.

Na hora da partida iminente
Sabedor que sou do caminho finito
Saio da escuridão, em direção a luz
Que meu espírito manso seduz
Ando trôpego, curvado,  porém crente
Com a certeza de quem viveu plenamente

Deixar-me-ei ser guiado em paz
Sonharei memórias de sorrisos vários
Seguirei calmo, um tanto cansado
Mas meus últimos suspiros serão a mostrar
Que dessa vida só se leva o Amar:
E é este que vos fala, a quem quiser ouvir:
O velho que até da morte sorri.


 Poema para Fábrica de Letras


(imagem : http://geofrontmarcio.blogspot.com)