sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O velho da morte a sorrir



Os pés já não têm a firmeza
O aperto de mão mais fraco está
A vista, turva, pouco enxerga a beleza
Só a lembrança renova o brilho no olhar

A memória falha em tantos instantes
Fere-me os ouvidos gritos a ouvir
Sou velho, calado, caminho vacilante
Mas quero ainda da vida sorrir

Tenho saudade de mim
Da criança buliçosa, de bola  a brincar
Da mãe carinhosa, do abraço sem fim
Onde o beijo era a cura dos males enfim

Tenho saudade de nós
Nossa moça história de amor
Encontros furtivos, mãos a se unir
E mais uma vez, da vida sorrir

Desculpai esta face de rugas presentes
São cicatrizes de anos producentes
Do labor, do suor do trabalho inerente.
Dói-me saber de todos a indiferença
Ao julgarem-me incapaz, terrível doença
Dói-me sua condenação velada
A mostrar-me " És fantasma vazio do nada".
Porém há algo que o tempo não retira:
A força do sorriso que em minh alma respira.

Na hora da partida iminente
Sabedor que sou do caminho finito
Saio da escuridão, em direção a luz
Que meu espírito manso seduz
Ando trôpego, curvado,  porém crente
Com a certeza de quem viveu plenamente

Deixar-me-ei ser guiado em paz
Sonharei memórias de sorrisos vários
Seguirei calmo, um tanto cansado
Mas meus últimos suspiros serão a mostrar
Que dessa vida só se leva o Amar:
E é este que vos fala, a quem quiser ouvir:
O velho que até da morte sorri.


 Poema para Fábrica de Letras


(imagem : http://geofrontmarcio.blogspot.com)







15 comentários:

  1. Belo e intenso,amada amiga ,poeta infinita minha!

    viva la vida

    ResponderExcluir
  2. Quero sorrir até minha morte,
    e ter certeza que vivi plenamente.
    Beijo
    Juliane S. Rocha

    ResponderExcluir
  3. ...
    Belíssimo,
    Uma linda mensagem...
    Bjs
    ...

    ResponderExcluir
  4. Minha querida
    Lindo, muito lindo.
    Adorei

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  5. A tarefa de viver nunca se conclui, a não ser que o ser humano determine.
    O sonho e o susto sopram no ouvido quando tudo parece apaziguado.


    Um beijo

    ResponderExcluir
  6. "Seguirei calmo, um tanto cansado"


    e assim é a melhor forma de se seguir, cansado de muitas aventuras, de algumas tristezas, mas nunca cansado de aprender...aprender a lidar com o próximo, de amar o próximo.

    Encantador.
    Adoro.
    Incontáveis abraços.

    ResponderExcluir
  7. E no entanto, apesar de tanta sabedoria, de tanta experiência, continuam esquecidos, desrespeitados, isolados.
    E podem ensinar tanto, para quem quer ouvir...!

    ResponderExcluir
  8. Olá! Vim aqui parar através da Fábrica de Letras... e daqui sairei, não sem voltar, com um sorriso nos lábios.
    Haverá gesto mais poderoso que um sorriso, mesmo ue seja da morte?

    Belo poema! Parabéns!

    ResponderExcluir
  9. Quero chegar à velhice com a leveza da vida nas costas. A leveza de ter realizado aquilo que eu prometi a mim realizar.
    Espero não chegar frustrada até lá.

    Seu comentário foi tão doce quanto gentil, fiquei muito feliz em lê-lo. Obrigada!
    És bem vinda ao meu blog sempre. ;)

    Um abraço.

    ResponderExcluir
  10. Own, eu pensei nesse tema ontem, sabia?

    Beijo

    ResponderExcluir
  11. Belo texto! Há na velhice um encanto mágico. Um encanto de respeito, que nos assusta, não só pela proximidade do limiar da vida, mas pela sabedoria, que inconscientemente nos recusamos a aprender, por pensarmos que temos demasiado tempo para isso.
    Beijinho

    ResponderExcluir
  12. Ainda bem que ele ri da morte... Encaremos a velhice com realidade e lutemos para que vheguemos lá saudáveis!

    Muito bom poema!

    bjs
    O Sibarita

    ResponderExcluir
  13. Lindo o teu poema que delinea a vida de alguém, não esquecendo o tempo de infância.
    Beijinhos e parabéns pelo trabalho que apresentaste.

    ResponderExcluir
  14. UMA VIDA DESCRITA EM POEMA ...BELO COLORIDO...

    BEIJINHOS

    ResponderExcluir

Deixe suas palavras aqui... (mas por favor, sem ctrl c ctrl v :D)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O velho da morte a sorrir



Os pés já não têm a firmeza
O aperto de mão mais fraco está
A vista, turva, pouco enxerga a beleza
Só a lembrança renova o brilho no olhar

A memória falha em tantos instantes
Fere-me os ouvidos gritos a ouvir
Sou velho, calado, caminho vacilante
Mas quero ainda da vida sorrir

Tenho saudade de mim
Da criança buliçosa, de bola  a brincar
Da mãe carinhosa, do abraço sem fim
Onde o beijo era a cura dos males enfim

Tenho saudade de nós
Nossa moça história de amor
Encontros furtivos, mãos a se unir
E mais uma vez, da vida sorrir

Desculpai esta face de rugas presentes
São cicatrizes de anos producentes
Do labor, do suor do trabalho inerente.
Dói-me saber de todos a indiferença
Ao julgarem-me incapaz, terrível doença
Dói-me sua condenação velada
A mostrar-me " És fantasma vazio do nada".
Porém há algo que o tempo não retira:
A força do sorriso que em minh alma respira.

Na hora da partida iminente
Sabedor que sou do caminho finito
Saio da escuridão, em direção a luz
Que meu espírito manso seduz
Ando trôpego, curvado,  porém crente
Com a certeza de quem viveu plenamente

Deixar-me-ei ser guiado em paz
Sonharei memórias de sorrisos vários
Seguirei calmo, um tanto cansado
Mas meus últimos suspiros serão a mostrar
Que dessa vida só se leva o Amar:
E é este que vos fala, a quem quiser ouvir:
O velho que até da morte sorri.


 Poema para Fábrica de Letras


(imagem : http://geofrontmarcio.blogspot.com)







15 comentários:

  1. Belo e intenso,amada amiga ,poeta infinita minha!

    viva la vida

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  2. Quero sorrir até minha morte,
    e ter certeza que vivi plenamente.
    Beijo
    Juliane S. Rocha

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  3. ...
    Belíssimo,
    Uma linda mensagem...
    Bjs
    ...

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  4. Minha querida
    Lindo, muito lindo.
    Adorei

    Beijinhos

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  5. A tarefa de viver nunca se conclui, a não ser que o ser humano determine.
    O sonho e o susto sopram no ouvido quando tudo parece apaziguado.


    Um beijo

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  6. "Seguirei calmo, um tanto cansado"


    e assim é a melhor forma de se seguir, cansado de muitas aventuras, de algumas tristezas, mas nunca cansado de aprender...aprender a lidar com o próximo, de amar o próximo.

    Encantador.
    Adoro.
    Incontáveis abraços.

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  7. E no entanto, apesar de tanta sabedoria, de tanta experiência, continuam esquecidos, desrespeitados, isolados.
    E podem ensinar tanto, para quem quer ouvir...!

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  8. Olá! Vim aqui parar através da Fábrica de Letras... e daqui sairei, não sem voltar, com um sorriso nos lábios.
    Haverá gesto mais poderoso que um sorriso, mesmo ue seja da morte?

    Belo poema! Parabéns!

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  9. Quero chegar à velhice com a leveza da vida nas costas. A leveza de ter realizado aquilo que eu prometi a mim realizar.
    Espero não chegar frustrada até lá.

    Seu comentário foi tão doce quanto gentil, fiquei muito feliz em lê-lo. Obrigada!
    És bem vinda ao meu blog sempre. ;)

    Um abraço.

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  10. Own, eu pensei nesse tema ontem, sabia?

    Beijo

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  11. Belo texto! Há na velhice um encanto mágico. Um encanto de respeito, que nos assusta, não só pela proximidade do limiar da vida, mas pela sabedoria, que inconscientemente nos recusamos a aprender, por pensarmos que temos demasiado tempo para isso.
    Beijinho

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  12. Ainda bem que ele ri da morte... Encaremos a velhice com realidade e lutemos para que vheguemos lá saudáveis!

    Muito bom poema!

    bjs
    O Sibarita

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  13. Lindo o teu poema que delinea a vida de alguém, não esquecendo o tempo de infância.
    Beijinhos e parabéns pelo trabalho que apresentaste.

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  14. UMA VIDA DESCRITA EM POEMA ...BELO COLORIDO...

    BEIJINHOS

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