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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Poeme-se



Poeme-se com ricas rimas
Com metáforas subjacentes
Com desígnios contundentes
E suas lisuras incongruentes

Poeme-se
Com a eloquicidade que desafia
Com o soltar da voz, com a pena que desfia
Tirando do peito o peso, o medo
Que na palavra consegue esquecer

Poeme-se sem qualidade
Escreva em fluxo solto
Escreva como num arroubo
Como um trem descarrilhado
Um palhaço descabelado
Uma foto desfocada
Ou pintura destemperada

O escrever liberta a alma
Expira o anseio do que não veio
Rouba o desassossego tirano
Desfaz o mito, o rito, o desengano:
É o contra ponto do mundano

Larga as rimas, as métricas
Todas as fúteis dialéticas
Esquece o verso perfeito
Liberte as duras garras do tempo
Solta letras contra o Vento
Expele teu sangue pelos dedos
Escrevendo com carne e cerne
Arde o papel, se busque e governe:

Poeme-se

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para viver um grande amor


Dizem que um grande amor
Supera  ânsias, temores, distâncias
Tem um toque de flor, calor e dor
Nos faz sonhar acordados, enamorados
E nisto tudo consiste o amor.

Dizem que para ser real
O amor tem que ser fiel, natural
Detalhes, defeitos, cobranças esconder
Da vida passada desistir e recolher
No fundo da mente como ferida a morrer.

Dizem que um grande amor ocorre
Quando  a cada segundo se vive e  morre
De saudade, de paixão, de loucura e prazer
Nos entregando, esquecidos do mundo lá fora
Sem  sequer pensar no correr avesso da hora:
Nisto consiste um grande amor.

Já vivi um grande  amor
Daquele que foi maior do que o Tudo
Mas não superou  meu medo profundo
Da desconfiança e traição oriundo
Não me deixava dormir, muito menos sonhar
E mesmo assim, era nossa forma de amar.

Era real, tão real que doía
O passado atormentando a cada dia
Os erros gritando, as diferenças ecoando
Nos testando, nos cobrando seu valor
Sabedor que era dos recônditos de nosso interior.

Mas o toque diário era tão precioso
Que o olhar entendia o que a alma sabia
E todo o resto não mais importava
Era o amor que em nossa porta vibrava
Tão constante como das ondas o ritmar
Tão vibrante quanto as cordas do violão a sonar.

Quando vivi meu grande amor
Não morri, apenas sobrevivi  à  dor
O sonho pari, cantei, sofri, chorei
Em nosso caos, a felicidade encontrei.
Do nosso amor, que perdemos no tempo
Ainda sinto o perfume a vagar pelo vento
Cobrando o que falta, o que ainda paira no ar
Entendendo que no amor, receita não há.
Só a vontade de ver mil nuances numa única cor. 

E acho que nisso consiste o amor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Essa Criatura


Existe algo além de qualquer filosofia
Criatura tão pura, insondável, misto de noite e dia
Que me impulsiona, alavanca, freia e move
Independente de tempo ou lugar que aprove

É livre e pacífica, mas aprisiona e faz guerra
Ama o pintassilgo e o obscuro verme
É igualitária com o cordeiro e o lobo
Predador e presa de si, em sutil arroubo

Toma com graça o coração convalescente
Enche-o de esperança e saudade crente
Te persegue com graça e furor a cada dia
Mas voa alto quando teu nome anuncias

Remove montanhas, com um sopro destrói
Liberta a alma, de manso, com calma que dói
Devora as próprias entranhas, tanto zelo traz
E nem notas a presença a cada passo que dás

Quem te protege e acaricia
Ao longo da noite, ao raiar do dia
Quem nada pede, nada quer para si
Confabula com o Infinito a hora de ir e vir
Viagem, passagem, do Criador miragem
Ação, solidão, o porto, a canção
Tão perto e tão longe, tão meu e tão seu
A Luz que ilumina, o pranto do Breu

Ah, essa criatura de presença inefável, da força parida
A Mão que te salva ou dita a Partida :
O que você chama de Morte...e eu chamo de Vida.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Hoje sorri

Sorri hoje tristemente.
Parece-me que em outra vida
Em outra era adormecida
Fui querida.
Sonhava então comovida:
Havia secado a ferida?
Enfim chegara o dia
Da união de almas
Que só ouvia em histórias
Dentro de minhas memórias?

Quis a teu lado pensar em flores:
Murcharam.
Quis entender o silêncio:
Gritei...a voz perdeu-se em teu vazio.

Quis amar o amor
Quis amar o desejo
Quis amar a ternura 
Mas...
Amei... a vontade de amar
Amei... a ilusão do meu querer
Amei... amei só. Sozinha.

A alma pediu
O corpo implorou
O coração (pobre coração)
Quis, de toda sorte, obedecer
E te amar perdidamente.
Com o briho que o amor merece
Com suas dores, choros, enlêvos e saudades!
E condensou-se em força, sem pesar ou pensar
Fez-se mudo, surdo a si próprio
Para que o destino, por si
Se encarregasse (pobre destino) de derramar 
As bençãos e esplendores da paixão.

Porém...
O coração esquece.
Esquece que faz sozinho sua morada
No ninho que lhe aprouver.
Esquece que não é dono ou escravo.
Que é tão puro e sublime
Que não carece de esforço
Ou de forças extraordinárias.
É...garras, asas, fortaleza...é liberdade.
Amor não se pede,
Amor não se implora.
Amor sequer é destino.
O amor é.
Somente.

Hoje sorri tristemente.
Porque entendi.


"O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se."

Affonso Romano de Sant'Anna

sábado, 30 de outubro de 2010

Dentro de mim, Meus personagens



Dentro de mim há uma flor
Que, madrepérola, muda de cor
Conforme as gritantes nuances que sofro
Conforme as mudanças contínuas do humor

Dentro de mim há um livro sem capa
De páginas em branco, outras completas
Vou preenchendo conforme as etapas
Alegrias, tristezas, de emoções repletas

Dentro de mim há uma criança
Com sede de saber, cheia de confiança
Que brinca ainda de boneca e casinha
Se entrega ao mundo sem medo ou pudor
Que acredita na pureza com destemor

Dentro de mim há uma velha senhora
Que já não se preocupa com o passar da hora
Relembra os revezes de um triste passado
Perdoa quem fere, sem mágoa ou rancor
Esquecida, por vezes de sua própria dor

Dentro de mim há um monstro terrível
Ciumento, inseguro, com garras estranhas
Egoísta, cruel, um tanto imaturo
Revolvendo incerteza em suas entranhas
Silencioso, insensível às dores do mundo

Dentro de mim há alguém que muito ama
Que chora, ri, dança e reclama
Tenta, entre tantos personagens dentro de si
Encontrar o equilíbrio para um novo sorrir.
Alguém que pede toda noite ao Pai
Mais paz a esse mundo tão conturbado
Pede luz nos dias que surgem nublados,
Que os homens entendam o poder de se doar
E que dessa vida só se leva o Amar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem sou eu

Sou parte do ontem forjado de tudo
E hoje pedaço pulsante do nada
Sou o alguém que tem da vida, medo
E também quem  encoraja a espada

Sou o caminho difícil, sem sul, sem norte
Sou  estrada sem placa, ao acaso da sorte
A esquina que dobra sem ter direção
Sou quem te guia estendendo a mão

Sou sua imagem projetada no peito
O quadro mais claro do sonho desfeito
Sou quem te segues, ou de quem foges sem jeito
A ilusão mais real, quem te desvia do mal
Solitária visão, teu desejo imortal

Sou barco sem leme, farol a iluminar
Escuridão que cega, noite sem luar
Sou vento que açoita, prado de calmaria
Chuva sem trovão, tempestade sombria

Sou menos do que sei que poderia
Mais do que sinto que talvez faria
Quem erra querendo de fato acertar
Quem acerta sem crer, sempre a caminhar
Sou falha, lacuna, sou calor e sou frio
Sou sombra que preenche teu espaço vazio

Sou a  presença mais forte, quem muito perdeu
Quem te pediu ajuda, quem te guiou no breu
Quem sorriu de alegria, quem chorou sem razão
Quem temeu o futuro por antecipação
Quem te procurou na hora do temor
Quem te deu muito mais do que amor
Quem chorou de saudade na hora do adeus
Esse é o meu muito, isso tudo sou eu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Essa mão

Ai das musas inspiradoras
Que hoje não têm serventia
Serão hoje figurantes
Da cena que, só, exponho.
Hoje não preciso de graças
Não peço ajuda, nem iluminação
À terra, ao céu, ao luar.
Minha luta com as palavras é só minha.
Hoje não há lutas.

Não quero rimas ou métricas
Claves, conclaves ou dialéticas
Não quero um soneto perfeito
(que ainda escreverei o conceito)
Que limite minha autenticidade.
Quero ação:  a escrita insolente da mão.
Não, hoje não creio em inspiração:
As palavras , sozinhas, pingam
Gota a gota sobre o papel.

Hoje não faço esforço
Nem recorro a dicionários
Ou a pleonasmos vários.
Não escrevo com o coração
Nem com o cérebro:
Escrevo com a mão que percorre sozinha
As implacáveis fímbrias do caderno amarelo.
E as frases se encaixam, tolas,
(as vezes sem sentido)
Sem ao menos perceberem-se unidas:
Não sei se da alma parida
Ou do inconsciente ferido.

Hoje não procuro temas
Ou a quem escrever.
Não quero aplausos,
Nem quero críticas
Por algo que não fiz:
Quem escreveu foi essa mão
Que não faz parte de mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Renovando a morada

Abri lentamente a janela dos olhos
Suspirando através da porta fechada
Revi com saudade quartos e cantos
Do que chamo no íntimo: minha morada

Alguns porões, escuros e úmidos
Guardavam dores antigas, solenes
E pé ante pé saí assim, de manso:
A solidão é ainda doente e perene
Carece de tempo, de trégua e avanço

Sacudi os lençóis da mágoa, do rancor
A poeira da desilusão espanei
Escovei cada fio da antiga alegria
Deixando-a livre de qualquer nostalgia

Os livros sagrados da biblioteca
(meus guardiões de memórias e lembranças)
Folheei com carinho e cuidado
Partes de um todo: a história não finalizada

Poli, esfreguei, com amor lustrei
Entregando,como quem devolve ao Além
A parte que estava esquecida na casa
A parte que mostra a quem quero bem

Recoloquei, límpido, em seu lugar
Esta peça tão cara, tão rara, perfeita:
O coração é a sede, o vértice, o norte
O que me toca, impulsiona e faz forte

Assim, renovei alguns cômodos esquecidos
E outros deixei, sem sequer pisar na entrada
Mas sigo em paz, sei que fiz o que pude
Ao renovar do corpo, a alma: minha morada


..............................................................................................

Amigos, aos poucos estou tentando colocar em dia minhas visitas, mas devo ser honesta: tenho um horário meio que inflexível de estudos e atividades agora.
Mudei um pouco (e por enquanto) meu foco, a fim de proporcionar um futuro melhor para mim e para minha família.
Peço desculpas mais uma vez a quem, com tanto carinho, deposita suas palavras aqui e não tive tempo de visitar.

A respeito de ontem: filha ficou orgulhosíssima com seus elogios. Obrigada, de coração.

Beijo

:)

domingo, 18 de abril de 2010

Agradecimento à Vida

Será amor em graciosa profusão
Será paixão que arde superando a razão?
Em quantas e tantas palavras direi
Ao tentar entender o que nem mesmo sei?

O coração agita de tal maneira
Parece descompassado, falta-me ar
As mãos se tocam, sutis, altaneiras
Encontram nas palmas, sua verdade,seu par

Os olhos compartilham simbólica visão
Do que seria o céu sem qualquer lamento
De tanto olhar, tanto querer tal emoção
Se fecham, para que se eternize o momento

O sorriso, nos lábios permanecem
Para registrar a felicidade insana
Que da alma emana com tal grandeza
Que transforma toda dor em casta beleza

O que pensar?
Como agir?
Correr, se deixar levar, fugir?
E o medo da correnteza arrastar
Tão nobre sentimento que há no ar?

Deixe que o destino determine
O que a sorte fez acontecer?
Lutar qual leoa determinada
Por tudo em que acredito nascer?

Ah, Vida, sou feliz com o que me deste
Que sejas minha guia, minha chave mestra
Só me resta agradecer com elevação
Pelo amor que brota em meu coração.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Minha luta interna

Em mil batalhas lutei
Meu sangue já derramei
Perdi paz, luz e razão
Sufoquei em ânsia meu coração.

Armadilhas e trincheiras armei
Planos e intrigas montei
Perdi fé, amigo e irmão
Destruí sem porém minha ilusão.

O fio da minha espada
Transpassou carne ultrajada
De quem sobrepôs em meu caminho:
Na guerra, o homem é sozinho.

Hoje vivo cansado
Amo e não sou amado
Por dar provas de destruição
A um outro coração.

Por razão que hoje entendo
Passo os dias sofrendo
Por saber que desse caminho não há volta
Trago angustia e revolta:
Foi o troco da guerra vil
Que lutei anos a fio.

Queria um dia, uma vez
Deitar a cabeça e , talvez
Esquecer a batalha dura
Fazer nova lei, uma cura
Para minh'alma doente.
De que vale ser valente
Se o coração hoje chora
A alma lamenta a hora
A lágrima cai sem demora?
De que vale ser mordaz
Se hoje o mundo só pede paz
E a beleza que ela traz?

Mudo eu e meu tormento
Não quero ser mais um alguém
Que luta por causa vã
Que esbraveja em afã...
Quero vida terna e amar
E junto a alguém caminhar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mergulho na Alma

Mergulho profundo no horizonte da alma
Procurando um momento de calma
Que abrande o fogo da ilusão que criei
Pensando que a lucidez teria vez.

Cavalgando no unicórnio da paixão
Cabelos ao vento, insanidade no coração
Descubro o quanto a sordidez da mente
Cria barreiras, queimando da loucura bandeiras.

Quero permanecer nesse sonho surreal
Colher estrelas
Plantar sonhos
Viver fantasias
Cantar melodias
Que pensem que enlouqueci
Já não tenho medo
Da vida quero tudo, não faço segredo.

Sugar a energia latente em cada por do sol
Submergir entre nuvens como inspiração
Prender o suspiro, explodir em emoção
Tornar o irreal necessário
Transformar a ilusão em fiel corsário
Que me leve a outros reinos
Que seja minha gentil companheira.

E entre todos, em minha loucura serei feliz
Descobrindo que ser livre é tudo que sempre quis.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Realidade do Sonho

Vem, criança, deita em meu regaço

Esqueça tudo que digo ou faço

Escute somente as batidas do coração

(que, descompassadas, são só emoção)


Vem, ensina-me a ser somente eu

Não prometa nada a que já padeceu

De amores incuráveis, aventura inefáveis

E que em ti viu a vaga esperança

De fazer com a paixão a sutil aliança


Ao te ver meus sentidos exalam ardor

Se unem em força, derretem em tal calor

Que inebriam, e me deixam tonta

Sem entender o que mais me amedronta

É a certeza de que ainda não estou pronta

Estanco à sua passagem

E tal qual bela miragem

Suspiro em cruel desengano

Pois sei que aquele que amo

Desconhece que há em mim a chama

Que tal sonha e reclama.


E assim, resolvo:


Reviro-me na cama em pensamentos

Renovo a crença que já bastam os lamentos

E toda sorte de desilusão

Faço de meus erros a força

E me ponho em teu caminho

Mostrando que muito ofereço ao amor:

Sou força que rouba calor

Luz que te acaricia

Entrego-me sem temor

Sei que és quem procuro e sorrio

E assim, diante da prova de entrega e doação

Vieste pé ante pé, com carinho

Mais uma vez o amor chegou de mansinho

Fazendo tal pássaro um ninho

Por entre as dobras do meu coração.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Meu mundo colorido

Em um mundo sem fé
não há esperança.

Em um mundo sem verdade
não há confiança.

Em um mundo sem espera
não há sorrisos.

Em um mundo sem amor
não há lágrimas.

Em fim.

Em um mundo cinza
tudo é verbal.

Meu mundo é sentimento.
Colorido.



quarta-feira, 3 de março de 2010

Parte de Árvore

Sugo a memória como vasto líquido
Para a história que me cabe por inteiro
A força vem como ânsia e saber
Como quem te nutre e ama.
Porque não sou só:
Sou parte e raiz

Em conhecimento transmito a magia
Por entre pedaços tenros de mim
Circula a resposta pela mansidão do corpo
Como quem espalha a chama.
Porque não sou una:
Sou parte e caule

Capto o gerador de luta e cria
O respirar confere luz a alma plena
Experimento a força, apta a produzir
Como quem te alimenta.
Porque não sou inteira:
Sou parte e folha

Seguro o poder do atrito
Calor produzido como alento
Confiro sonho à necessidade parida
Como quem o fogo fomenta.
Porque não sou solidão:
Sou parte e galho

Quem ama
Quem espalha a chama
Quem alimenta
Quem o fogo fomenta
Porque sou terra, água, ar e fogo
De quem sou mãe e filha:
Árvore da vida matriz
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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Poeme-se



Poeme-se com ricas rimas
Com metáforas subjacentes
Com desígnios contundentes
E suas lisuras incongruentes

Poeme-se
Com a eloquicidade que desafia
Com o soltar da voz, com a pena que desfia
Tirando do peito o peso, o medo
Que na palavra consegue esquecer

Poeme-se sem qualidade
Escreva em fluxo solto
Escreva como num arroubo
Como um trem descarrilhado
Um palhaço descabelado
Uma foto desfocada
Ou pintura destemperada

O escrever liberta a alma
Expira o anseio do que não veio
Rouba o desassossego tirano
Desfaz o mito, o rito, o desengano:
É o contra ponto do mundano

Larga as rimas, as métricas
Todas as fúteis dialéticas
Esquece o verso perfeito
Liberte as duras garras do tempo
Solta letras contra o Vento
Expele teu sangue pelos dedos
Escrevendo com carne e cerne
Arde o papel, se busque e governe:

Poeme-se

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para viver um grande amor


Dizem que um grande amor
Supera  ânsias, temores, distâncias
Tem um toque de flor, calor e dor
Nos faz sonhar acordados, enamorados
E nisto tudo consiste o amor.

Dizem que para ser real
O amor tem que ser fiel, natural
Detalhes, defeitos, cobranças esconder
Da vida passada desistir e recolher
No fundo da mente como ferida a morrer.

Dizem que um grande amor ocorre
Quando  a cada segundo se vive e  morre
De saudade, de paixão, de loucura e prazer
Nos entregando, esquecidos do mundo lá fora
Sem  sequer pensar no correr avesso da hora:
Nisto consiste um grande amor.

Já vivi um grande  amor
Daquele que foi maior do que o Tudo
Mas não superou  meu medo profundo
Da desconfiança e traição oriundo
Não me deixava dormir, muito menos sonhar
E mesmo assim, era nossa forma de amar.

Era real, tão real que doía
O passado atormentando a cada dia
Os erros gritando, as diferenças ecoando
Nos testando, nos cobrando seu valor
Sabedor que era dos recônditos de nosso interior.

Mas o toque diário era tão precioso
Que o olhar entendia o que a alma sabia
E todo o resto não mais importava
Era o amor que em nossa porta vibrava
Tão constante como das ondas o ritmar
Tão vibrante quanto as cordas do violão a sonar.

Quando vivi meu grande amor
Não morri, apenas sobrevivi  à  dor
O sonho pari, cantei, sofri, chorei
Em nosso caos, a felicidade encontrei.
Do nosso amor, que perdemos no tempo
Ainda sinto o perfume a vagar pelo vento
Cobrando o que falta, o que ainda paira no ar
Entendendo que no amor, receita não há.
Só a vontade de ver mil nuances numa única cor. 

E acho que nisso consiste o amor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Essa Criatura


Existe algo além de qualquer filosofia
Criatura tão pura, insondável, misto de noite e dia
Que me impulsiona, alavanca, freia e move
Independente de tempo ou lugar que aprove

É livre e pacífica, mas aprisiona e faz guerra
Ama o pintassilgo e o obscuro verme
É igualitária com o cordeiro e o lobo
Predador e presa de si, em sutil arroubo

Toma com graça o coração convalescente
Enche-o de esperança e saudade crente
Te persegue com graça e furor a cada dia
Mas voa alto quando teu nome anuncias

Remove montanhas, com um sopro destrói
Liberta a alma, de manso, com calma que dói
Devora as próprias entranhas, tanto zelo traz
E nem notas a presença a cada passo que dás

Quem te protege e acaricia
Ao longo da noite, ao raiar do dia
Quem nada pede, nada quer para si
Confabula com o Infinito a hora de ir e vir
Viagem, passagem, do Criador miragem
Ação, solidão, o porto, a canção
Tão perto e tão longe, tão meu e tão seu
A Luz que ilumina, o pranto do Breu

Ah, essa criatura de presença inefável, da força parida
A Mão que te salva ou dita a Partida :
O que você chama de Morte...e eu chamo de Vida.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Hoje sorri

Sorri hoje tristemente.
Parece-me que em outra vida
Em outra era adormecida
Fui querida.
Sonhava então comovida:
Havia secado a ferida?
Enfim chegara o dia
Da união de almas
Que só ouvia em histórias
Dentro de minhas memórias?

Quis a teu lado pensar em flores:
Murcharam.
Quis entender o silêncio:
Gritei...a voz perdeu-se em teu vazio.

Quis amar o amor
Quis amar o desejo
Quis amar a ternura 
Mas...
Amei... a vontade de amar
Amei... a ilusão do meu querer
Amei... amei só. Sozinha.

A alma pediu
O corpo implorou
O coração (pobre coração)
Quis, de toda sorte, obedecer
E te amar perdidamente.
Com o briho que o amor merece
Com suas dores, choros, enlêvos e saudades!
E condensou-se em força, sem pesar ou pensar
Fez-se mudo, surdo a si próprio
Para que o destino, por si
Se encarregasse (pobre destino) de derramar 
As bençãos e esplendores da paixão.

Porém...
O coração esquece.
Esquece que faz sozinho sua morada
No ninho que lhe aprouver.
Esquece que não é dono ou escravo.
Que é tão puro e sublime
Que não carece de esforço
Ou de forças extraordinárias.
É...garras, asas, fortaleza...é liberdade.
Amor não se pede,
Amor não se implora.
Amor sequer é destino.
O amor é.
Somente.

Hoje sorri tristemente.
Porque entendi.


"O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se."

Affonso Romano de Sant'Anna

sábado, 30 de outubro de 2010

Dentro de mim, Meus personagens



Dentro de mim há uma flor
Que, madrepérola, muda de cor
Conforme as gritantes nuances que sofro
Conforme as mudanças contínuas do humor

Dentro de mim há um livro sem capa
De páginas em branco, outras completas
Vou preenchendo conforme as etapas
Alegrias, tristezas, de emoções repletas

Dentro de mim há uma criança
Com sede de saber, cheia de confiança
Que brinca ainda de boneca e casinha
Se entrega ao mundo sem medo ou pudor
Que acredita na pureza com destemor

Dentro de mim há uma velha senhora
Que já não se preocupa com o passar da hora
Relembra os revezes de um triste passado
Perdoa quem fere, sem mágoa ou rancor
Esquecida, por vezes de sua própria dor

Dentro de mim há um monstro terrível
Ciumento, inseguro, com garras estranhas
Egoísta, cruel, um tanto imaturo
Revolvendo incerteza em suas entranhas
Silencioso, insensível às dores do mundo

Dentro de mim há alguém que muito ama
Que chora, ri, dança e reclama
Tenta, entre tantos personagens dentro de si
Encontrar o equilíbrio para um novo sorrir.
Alguém que pede toda noite ao Pai
Mais paz a esse mundo tão conturbado
Pede luz nos dias que surgem nublados,
Que os homens entendam o poder de se doar
E que dessa vida só se leva o Amar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem sou eu

Sou parte do ontem forjado de tudo
E hoje pedaço pulsante do nada
Sou o alguém que tem da vida, medo
E também quem  encoraja a espada

Sou o caminho difícil, sem sul, sem norte
Sou  estrada sem placa, ao acaso da sorte
A esquina que dobra sem ter direção
Sou quem te guia estendendo a mão

Sou sua imagem projetada no peito
O quadro mais claro do sonho desfeito
Sou quem te segues, ou de quem foges sem jeito
A ilusão mais real, quem te desvia do mal
Solitária visão, teu desejo imortal

Sou barco sem leme, farol a iluminar
Escuridão que cega, noite sem luar
Sou vento que açoita, prado de calmaria
Chuva sem trovão, tempestade sombria

Sou menos do que sei que poderia
Mais do que sinto que talvez faria
Quem erra querendo de fato acertar
Quem acerta sem crer, sempre a caminhar
Sou falha, lacuna, sou calor e sou frio
Sou sombra que preenche teu espaço vazio

Sou a  presença mais forte, quem muito perdeu
Quem te pediu ajuda, quem te guiou no breu
Quem sorriu de alegria, quem chorou sem razão
Quem temeu o futuro por antecipação
Quem te procurou na hora do temor
Quem te deu muito mais do que amor
Quem chorou de saudade na hora do adeus
Esse é o meu muito, isso tudo sou eu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Essa mão

Ai das musas inspiradoras
Que hoje não têm serventia
Serão hoje figurantes
Da cena que, só, exponho.
Hoje não preciso de graças
Não peço ajuda, nem iluminação
À terra, ao céu, ao luar.
Minha luta com as palavras é só minha.
Hoje não há lutas.

Não quero rimas ou métricas
Claves, conclaves ou dialéticas
Não quero um soneto perfeito
(que ainda escreverei o conceito)
Que limite minha autenticidade.
Quero ação:  a escrita insolente da mão.
Não, hoje não creio em inspiração:
As palavras , sozinhas, pingam
Gota a gota sobre o papel.

Hoje não faço esforço
Nem recorro a dicionários
Ou a pleonasmos vários.
Não escrevo com o coração
Nem com o cérebro:
Escrevo com a mão que percorre sozinha
As implacáveis fímbrias do caderno amarelo.
E as frases se encaixam, tolas,
(as vezes sem sentido)
Sem ao menos perceberem-se unidas:
Não sei se da alma parida
Ou do inconsciente ferido.

Hoje não procuro temas
Ou a quem escrever.
Não quero aplausos,
Nem quero críticas
Por algo que não fiz:
Quem escreveu foi essa mão
Que não faz parte de mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Renovando a morada

Abri lentamente a janela dos olhos
Suspirando através da porta fechada
Revi com saudade quartos e cantos
Do que chamo no íntimo: minha morada

Alguns porões, escuros e úmidos
Guardavam dores antigas, solenes
E pé ante pé saí assim, de manso:
A solidão é ainda doente e perene
Carece de tempo, de trégua e avanço

Sacudi os lençóis da mágoa, do rancor
A poeira da desilusão espanei
Escovei cada fio da antiga alegria
Deixando-a livre de qualquer nostalgia

Os livros sagrados da biblioteca
(meus guardiões de memórias e lembranças)
Folheei com carinho e cuidado
Partes de um todo: a história não finalizada

Poli, esfreguei, com amor lustrei
Entregando,como quem devolve ao Além
A parte que estava esquecida na casa
A parte que mostra a quem quero bem

Recoloquei, límpido, em seu lugar
Esta peça tão cara, tão rara, perfeita:
O coração é a sede, o vértice, o norte
O que me toca, impulsiona e faz forte

Assim, renovei alguns cômodos esquecidos
E outros deixei, sem sequer pisar na entrada
Mas sigo em paz, sei que fiz o que pude
Ao renovar do corpo, a alma: minha morada


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Amigos, aos poucos estou tentando colocar em dia minhas visitas, mas devo ser honesta: tenho um horário meio que inflexível de estudos e atividades agora.
Mudei um pouco (e por enquanto) meu foco, a fim de proporcionar um futuro melhor para mim e para minha família.
Peço desculpas mais uma vez a quem, com tanto carinho, deposita suas palavras aqui e não tive tempo de visitar.

A respeito de ontem: filha ficou orgulhosíssima com seus elogios. Obrigada, de coração.

Beijo

:)

domingo, 18 de abril de 2010

Agradecimento à Vida

Será amor em graciosa profusão
Será paixão que arde superando a razão?
Em quantas e tantas palavras direi
Ao tentar entender o que nem mesmo sei?

O coração agita de tal maneira
Parece descompassado, falta-me ar
As mãos se tocam, sutis, altaneiras
Encontram nas palmas, sua verdade,seu par

Os olhos compartilham simbólica visão
Do que seria o céu sem qualquer lamento
De tanto olhar, tanto querer tal emoção
Se fecham, para que se eternize o momento

O sorriso, nos lábios permanecem
Para registrar a felicidade insana
Que da alma emana com tal grandeza
Que transforma toda dor em casta beleza

O que pensar?
Como agir?
Correr, se deixar levar, fugir?
E o medo da correnteza arrastar
Tão nobre sentimento que há no ar?

Deixe que o destino determine
O que a sorte fez acontecer?
Lutar qual leoa determinada
Por tudo em que acredito nascer?

Ah, Vida, sou feliz com o que me deste
Que sejas minha guia, minha chave mestra
Só me resta agradecer com elevação
Pelo amor que brota em meu coração.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Minha luta interna

Em mil batalhas lutei
Meu sangue já derramei
Perdi paz, luz e razão
Sufoquei em ânsia meu coração.

Armadilhas e trincheiras armei
Planos e intrigas montei
Perdi fé, amigo e irmão
Destruí sem porém minha ilusão.

O fio da minha espada
Transpassou carne ultrajada
De quem sobrepôs em meu caminho:
Na guerra, o homem é sozinho.

Hoje vivo cansado
Amo e não sou amado
Por dar provas de destruição
A um outro coração.

Por razão que hoje entendo
Passo os dias sofrendo
Por saber que desse caminho não há volta
Trago angustia e revolta:
Foi o troco da guerra vil
Que lutei anos a fio.

Queria um dia, uma vez
Deitar a cabeça e , talvez
Esquecer a batalha dura
Fazer nova lei, uma cura
Para minh'alma doente.
De que vale ser valente
Se o coração hoje chora
A alma lamenta a hora
A lágrima cai sem demora?
De que vale ser mordaz
Se hoje o mundo só pede paz
E a beleza que ela traz?

Mudo eu e meu tormento
Não quero ser mais um alguém
Que luta por causa vã
Que esbraveja em afã...
Quero vida terna e amar
E junto a alguém caminhar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mergulho na Alma

Mergulho profundo no horizonte da alma
Procurando um momento de calma
Que abrande o fogo da ilusão que criei
Pensando que a lucidez teria vez.

Cavalgando no unicórnio da paixão
Cabelos ao vento, insanidade no coração
Descubro o quanto a sordidez da mente
Cria barreiras, queimando da loucura bandeiras.

Quero permanecer nesse sonho surreal
Colher estrelas
Plantar sonhos
Viver fantasias
Cantar melodias
Que pensem que enlouqueci
Já não tenho medo
Da vida quero tudo, não faço segredo.

Sugar a energia latente em cada por do sol
Submergir entre nuvens como inspiração
Prender o suspiro, explodir em emoção
Tornar o irreal necessário
Transformar a ilusão em fiel corsário
Que me leve a outros reinos
Que seja minha gentil companheira.

E entre todos, em minha loucura serei feliz
Descobrindo que ser livre é tudo que sempre quis.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Realidade do Sonho

Vem, criança, deita em meu regaço

Esqueça tudo que digo ou faço

Escute somente as batidas do coração

(que, descompassadas, são só emoção)


Vem, ensina-me a ser somente eu

Não prometa nada a que já padeceu

De amores incuráveis, aventura inefáveis

E que em ti viu a vaga esperança

De fazer com a paixão a sutil aliança


Ao te ver meus sentidos exalam ardor

Se unem em força, derretem em tal calor

Que inebriam, e me deixam tonta

Sem entender o que mais me amedronta

É a certeza de que ainda não estou pronta

Estanco à sua passagem

E tal qual bela miragem

Suspiro em cruel desengano

Pois sei que aquele que amo

Desconhece que há em mim a chama

Que tal sonha e reclama.


E assim, resolvo:


Reviro-me na cama em pensamentos

Renovo a crença que já bastam os lamentos

E toda sorte de desilusão

Faço de meus erros a força

E me ponho em teu caminho

Mostrando que muito ofereço ao amor:

Sou força que rouba calor

Luz que te acaricia

Entrego-me sem temor

Sei que és quem procuro e sorrio

E assim, diante da prova de entrega e doação

Vieste pé ante pé, com carinho

Mais uma vez o amor chegou de mansinho

Fazendo tal pássaro um ninho

Por entre as dobras do meu coração.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Meu mundo colorido

Em um mundo sem fé
não há esperança.

Em um mundo sem verdade
não há confiança.

Em um mundo sem espera
não há sorrisos.

Em um mundo sem amor
não há lágrimas.

Em fim.

Em um mundo cinza
tudo é verbal.

Meu mundo é sentimento.
Colorido.



quarta-feira, 3 de março de 2010

Parte de Árvore

Sugo a memória como vasto líquido
Para a história que me cabe por inteiro
A força vem como ânsia e saber
Como quem te nutre e ama.
Porque não sou só:
Sou parte e raiz

Em conhecimento transmito a magia
Por entre pedaços tenros de mim
Circula a resposta pela mansidão do corpo
Como quem espalha a chama.
Porque não sou una:
Sou parte e caule

Capto o gerador de luta e cria
O respirar confere luz a alma plena
Experimento a força, apta a produzir
Como quem te alimenta.
Porque não sou inteira:
Sou parte e folha

Seguro o poder do atrito
Calor produzido como alento
Confiro sonho à necessidade parida
Como quem o fogo fomenta.
Porque não sou solidão:
Sou parte e galho

Quem ama
Quem espalha a chama
Quem alimenta
Quem o fogo fomenta
Porque sou terra, água, ar e fogo
De quem sou mãe e filha:
Árvore da vida matriz